El rock clásico y el desafío del algoritmo
Andrés Calamaro brindou dois dos quatro shows lotados no Movistar Arena, logo após a polêmica performance de Fito Páez, que foi vaiado ao tocar uma hora e meia de músicas do seu último disco. Mas, ao contrário de Fito, Calamaro trouxe uma verdadeira máquina de hits. Ninguém ficou de fora, com clássicos de “Los Rodríguez” e “Los Abuelos de la Nada” na lista.
Os músicos mais experientes têm uma mensagem clara para o público: sejam pacientes, deixem-se levar pela música e aproveitem o momento. Durante o show, Calamaro fez algumas perguntas que deixaram a plateia pensando, questionando se a pura música ainda causa inquietação. Essa conexão com o que aconteceu recentemente com Fito gerou reflexões sobre a resistência em ouvir hits de imediato.
Uma viagem musical de verdade
A playlist foi recheada com favoritos do público: “Todavía una canción”, “A los ojos”, “Carnaval”, “Loco”, e muitos outros. Mas além dos hits, houve espaço para momentos acústicos e também para alguns tangos, como “Garúa”. Em meio a isso, ficou claro que o público atual, acostumado com a rapidez das redes sociais, tem dificuldade em esperar. Muitos pegavam o celular assim que uma música menos conhecida começava, voltando a prestar atenção apenas quando os clássicos surgiam.
A nostalgia de quem acompanha Calamaro há décadas é palpável. Antigamente, a espera e os imprevistos faziam parte da experiência. Hoje, no entanto, a ansiedade do público é alimentada por uma cultura que valoriza a velocidade. O que vemos nas redes sociais é um convite à conexão imediata, como se a mágica de um show ao vivo pudesse ser resumida em vários clipes de um minuto.
Um artista engajado
Calamaro também usou seu palco para lembrar seus fãs das causas que defende. Ele usou uma camiseta da Seleção Argentina e fez questão de tocar em temas que geram polêmica, defendendo figuras como o presidente da AFA. Durante as canções, as telas projetavam imagens de guerras e manifestações sociais, ligando a música a um contexto mais amplo.
O artista mantém esse espírito provocador que atrai tanto aplausos quanto críticas. Sua conexão com a história do país é evidente, e ele faz questão de trazer à tona referências como Hebe de Bonafini e as placas de “Las Malvinas son argentinas, los desaparecidos también”.
Finalizando em alto estilo
Os bis foram um gran finale à altura, com “Estadio Azteca” e “Los Chicos” encerrando a noite. Para quem ficou de fora, as datas do show estão esgotadas até o dia 8 de junho, em um tour que já passou por várias cidades, como Santa Fe, Corrientes e Mar del Plata. É uma verdadeira celebração de um ícone da música argentina, que continua conquistando a todos, independente da idade.